Critica Literária: A Fúria de Reis Parte 1


A comparação entre George R. R. Martin e J. R. R. Tolkien é inevitável, muitos vão dizer que é injusta, ou descabida, ou que os livros são muito diferentes para serem comparados, mas o fato é que Tolkien é o melhor escritor de fantasia de todos os tempos de acordo com o consenso geral, enquanto Martin é o melhor escritor de fantasia dos últimos tempos, as comparações injustas seriam com J.K. Rowling ou C.S. Lewis, que fazem literatura fantástica infanto-juvenil, uma com qualidade e o outro com nostalgia.

Nem Tolkien nem Martin são perfeitos naquilo que fazem, por mais que suas histórias sejam maravilhosas, suas narrativas têm pequenos defeitos pontuais que embora não prejudiquem o todo, são o suficiente para eliminar qualquer vestígio de imunidade nostálgica ou de hype febril que um ou outro possam ter. E se a pergunta é, qual dos dois é melhor, respondo que na minha visão existe um empate, e se a pergunta é qual saga é a melhor, só o gosto pessoal pode dizer. Era importante comentar sobre essa disputa antes de realmente iniciar a critica, pois não faz muito tempo esse assunto foi abordado por certa revista e causou muita polemica, coisa que eu gostaria de evitar aqui.

Em A Fúria de Reis pouco muda em relação ao seu antecessor, A Guerra dos Tronos, pelo menos na área narrativa e na qualidade do texto. O Fato é que nem vale tecer críticas e elaborar grandes textos sobre essa área, afinal todos os livros da saga serão exatamente iguais aqui, o que muda é claro é o a qualidade da história contada. Ainda que seja interessante ressaltar que a forma como Martin escreve denota certa preguiça, contar uma historia tão grandiosa e longa como essa através dos pontos de vista de alguns de seus personagens é uma forma de evitar detalhes e ainda mais subtramas que poderiam ser interessantes, é um pouco frustrante não ver muito de Renly Baratheon e seu relacionamento com Brienne de Tarth, com Sor Loras Tyrell e sua irmã Margaret, ou ainda não descobrir mais sobre os planos de Mindinho e saber como ele fez o que fez e salvou o dia (ou arruinou depende de pra quem você estava torcendo.) no climax do livro.

Apesar de um resultado final interessante, certas coisas ficam frustrante com o decorrer da história, especialmente se levarmos em conta que, assim como na série da HBO, a maioria dos capítulos terminam com um gancho maravilhoso para o próximo capitulo do personagem, por exemplo, com os capítulos intitulados Catelyn, depois que vemos uma cena interessantíssima entre ela, Renly e Brienne de Tarth, só vamos ler a continuação dessa sequencia depois de quase 60 paginas. Embora eu tenha que admitir que um livro que mostrasse o contexto geral de uma saga tão grandiosa fosse ser quase impossível de ler, e provavelmente Martin ainda estaria escrevendo o segundo e imenso livro. Por sorte o climax de A Fúria dos Reis é basicamente dominado por Tyrion e Davos, o que nos deixa capitulo sim, capitulo não com uma continuidade na história. E isso é interessante, pois finalmente Martin nos mostra uma batalha, ou pelo menos mostra uma boa parte da batalha, já que o climax dela novamente só é contado depois e não narrado em um capitulo.

Temos interações interessantíssimas entre Sansa e Cersei nesse climax, e embora os capítulos de Jon Snow e Daenerys Targaryen sejam apenas enrolação para o próximo livro, tem coisas muito interessantes ali, exemplo disso é a visita de Dany à Casa dos Imortais, provavelmente será uma das cenas mais caras da segunda temporada e com certeza é a cena que eu mais espero assistir. Ao contrario de Jon e Daenerys que apesar de o livro não os levar eles a lugar nenhum, mas ainda assim manter o interesse, os capítulos iniciais de Bran são quase insuportáveis de tão inúteis que são, inúteis e constantes o que piora tudo. Entretanto quando chega ao fim os capítulos do jovem Stark estão entre os melhores, mas nada que justifique tantos capítulos sem sentido iniciais. O livro novamente é hábil em manter a atenção do leitor presa a cada pagina, mesmo se um capítulo te desagrade, continuar lendo é ainda mais importante para que você passe por esse e saiba o que acontecerá com seu personagem favorito nas próximas paginas. Apesar nível de sangue que escorre pelas paginas do livro ainda ser grande, aqui Martin poupa um pouco seus protagonistas de mortes terríveis, dentre personagens importantes não é contado mais de 2 mortes, embora o climax seja basicamente uma contagem de corpos, porém a maioria deles anônimos.

Também não posso deixar de elogiar uma habilidade impressionante do autor, ao terminar A Guerra dos Tronos eu pensava “será impossível adicionar novos personagens depois e deixá-los tão bons e carismáticos quanto os que já estão estabelecidos aqui”, engano meu, a introdução de Asha (ou Yara na série) Greyjoy é tão divertida que é impossível não gostar dela assim que sabemos quem é ela pela primeira vez. Além de Asha, temos Stannis, Melisandre e Davos que são maravilhosos, embora eu deva confessar que achei Davos (o P.O.V. desse trio) bem desinteressante, mas ele é o ponto necessário para vermos Stannis Baratheon e Melisandre em ação. Mas de todos os personagens secundários adicionados, o mais interessante com certeza é Jaqen H’ghar com sua curiosa forma de falar e agir, nas histórias de Arya ele é uma das coisas mais interessantes, e a forma como termina as histórias da menina, a relação dos dois provavelmente vai gerar coisas muito interessantes no futuro da série. Podemos dizer que enquanto A Guerra dos Tronos era um livro de Eddard, Daenerys e Cersei. A Fúria de Reis é um livro de Tyrion, Arya e Bran. E a forma como ele termina só valoriza mais a série como um todo e deixa qualquer um ansioso por A Tormenta de Espadas.

A Fúria de Reis é na verdade uma historia menor se comparada com a história contada em A Guerra dos Tronos, mas diferente do primeiro livro, em A Fúria temos muitas promessas para o futuro da saga, a forma como a parte de Jon Snow termina é um gancho extraordinário, e o mesmo pode se dizer sobre Bran e Arya. George R. R. Martin criou em As Crônicas de Gelo e Fogo uma febre da literatura moderna que no futuro será um clássico intocável.

fonte: Eden Pop

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