George R.R. Martin sobre a fantasia na TV e a segunda temporada


George R.R. Martin deu uma entrevista ao The Hollywood Reporter, na qual fala sobre a fantasia na televisão e um pouco sobre o que podemos esperar da segunda temporada.


The Hollywood Reporter: O FX deu crédito a Game of Thrones por mostrar que um drama de fantasia pode funcionar às 22h. Porque é que o horário é importante para o género?
George R.R. Martin: A fantasia é a forma de literatura mais antiga – remonta a Gilgamesh e a Homero. Estas pessoas escreviam fantasia há milhares de anos atrás. Infelizmente, na televisão, por uma razão qualquer, a fantasia é entendida como um género para crianças. Não faziam uma fantasia para adultos sofisticada e eram muito resistentes. Mesmo quando o fizeram, oBeauty and the Beast, que foi uma série na qual participei nos anos 80, tentámos tornar o Beauty and the Beast num drama sofisticado para adultos, mas eles puseram-no no horário das 20h. Porque era fantasia, a CBS achou que era uma série para crianças. Estávamos constantemente a discutir com o departamento de Standard and Practices o que poderíamos mostrar às 20h. Felizmente, com a HBO, ultrapassámos isso. Não tenho nada contra livros de crianças ou fantasia para jovens adultos, há por aí tantos livros de fantasia para crianças maravilhosos – cresci e aprendi com essas coisas – mas também deve haver fantasia para adultos. A fantasia é apenas o reino da imaginação e do romance. O público adulto pode apreciar isto tanto como um público jovem.
THR: Poderia Game of Thrones funcionar em sinal aberto? 
Martin: Não da forma como os canais em sinal aberto funcionam atualmente. A HBO e outros canais por cabo – a Showtime, a Starz, etc. – estão a dar rédea solta aos criadores para fazerem coisas imaginativas. Os canais em sinal aberto continuam presos ao “não podemos ofender ninguém: temos de pôr o Standard and Practices a rever tudo, demasiado sexo, demasiada violência, vamos arranjar um focus group para dar uma vista de olhos a isto. Fizemos uma pré-estreia e não gostaram daquela personagem…” Estão desesperados por audiências e tentam proteger toda a gente para não ofenderem ninguém, e as coisas são pré-digeridas. Os canais por cabo são os que estão dispostos a correr riscos e a fazer algo original e alargar horizontes. Só assim se consegue boa arte, não se consegue um bom programa de televisão ou um bom livro se se utilizar a fórmula gasta que já foi utilizada 100 vezes antes.
THR: Quantos mais grandes riscos há para correr na segunda temporada? 
Martin: Consideravelmente mais – ninguém está a salvo na série, qualquer um pode morrer a qualquer altura. As pessoas que leram os livros sabem que há algumas mortes importantes e vêm aí traições e reviravoltas. Ninguém é bem o que parece.
THR: Quão perto irá a segunda temporada manter-se em relação ao livro?
Martin: Estão a manter-se muito próximos. Até agora, os responsáveis David Benioff e D.B. Weiss parecem muito empenhados em contar a minha história num meio diferente, em vez de a tornar numa história diferente, opção em relação à qual sou ligeiramente a favor (risos).
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